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Após uma breve pesquisa pela Internet encontrei algumas associações e iniciativas que se acarretam com questões relacionadas com a (re)distribuição de alimentos a nível nacional. Neste sentido em seguida irei dar a conhecer ao leitor deste blog algumas das mesmas.
Uma das associações que me despertou maior interesse foi a DARIAACORDAR – associação contra o desperdício alimentar (http://www.dariacordar.org/). Esta promove as suas iniciativas solidárias junto de entidades político-administrativas, sociais e económicas (IPSSs, Misericóridas, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia) que desejem colaborar no crescimento deste projeto inovador no campo da solidariedade social que é a redistribuição alimentar. Assim, a partir desta associação surge o movimento Zero Desperdício (www.zerodesperdicio.pt), que faz parcerias entre estabelecimentos que disponibilizem refeições e outros bens alimentares que nunca foram servidos e IPSSs, Misericórdias, ONGs e outras associações de solidariedade que encaminhem esses bens alimentares para quem deles necessita. Este movimento aproveita bens alimentares que antes acabavam no lixo – comida que nunca saiu da cozinha, comida cujo prazo de validade se aproxima do fim, ou comida que não foi exposta nem esteve em contacto com o público.
Assim sendo, no seu site o movimento zero desperdício apela para a participação não só de entidades capazes de providenciar comida (como restaurantes, cantinas, hotéis) como também de entidades capacitadas para fazer chegar a mesma comida aos mais carenciados (IPSSs, Misericóridas, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia), e voluntários individuais ou colectivos, cuja ajuda é direcionada para actividades pertinentes ou para actividades que constem no interesse dos voluntários.
Outra associação que gerou curiosidade foi o Centro de apoio ao sem-abrigo ou CASA. Esta instituição foi criada em 2002 e ocupa-se com uma série de actividades que contribuem para o melhoramento das condições de vida de indivíduos menos favorecidos. A associação tem por objectivo pôr em prática acções de solidariedade social, mais concretamente dar apoio, alimentação e alojamento a favor de sem-abrigo, crianças, adolescentes e idosos socialmente desfavorecidos, vítimas de violência ou maus-tratos, independentemente da sua nacionalidade, credo religioso, política ou etnia.
Neste sentido, a CASA ocupa-se com tarefas tais como:
· Distribuição de Refeições quentes e embaladas, 365 noites por ano, na zona de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Setúbal e Região Autónoma da Madeira. Sendo isto possibilitado pela ajuda activa de alguns restaurantes e de grandes superfícies (Pingo Doce).
- Distribuição de Cobertores, Sacos de Cama e produtos de higiene.
- Articulação com Juntas de freguesia para providenciar instalações para banhos e higiene para ao Sem-Abrigo.
A CASA apela para a ajuda de voluntários que estejam dispostos a desenvolver funções tais como:
- Aumentar o número de refeições e quantidade de cobertores e sacos de cama a distribuir e pontos de distribuição.
- Fornecer apoio médico, medicamentoso, psicológico e jurídico às pessoas socialmente desfavorecidas;
- Apoiar as pessoas sem abrigo de forma a proporcionar-lhes condições de reintegração na sociedade.
- Providenciar alojamento temporário;
- Apoiar e organizar actividades de sensibilização e cooperação com outras instituições congéneres de carácter nacional ou internacional;
- Realizar e apoiar a divulgação de publicações, bem como, a difusão de informações actualizadas sobre a realidade vivida pelos sem abrigo;
- Organizar outras actividades que promovam a solidariedade social;
- Apoiar e organizar acções humanitárias de âmbito nacional e internacional a favor da paz e da não-violência social;
É também possível contribuir com outros bens, para além do trabalho voluntário:
- Vestuário: Cobertores e sacos-cama,
- Alimentos: Produtos embalados ou refeições quentes que queira preparar.
- Medicamentos: De uso corrente ou a dispensar pelos nossos médicos voluntários. Embalados e dentro do prazo de validade.
- Produtos para a higiene: sabonetes, espuma e lâminas para a barba, corta-unhas, pensos e pensos higiénicos, lenços de papel, etc.
A CASA conta com uma série de delegações que se encontram disseminadas pelo país continental e Ilhas. Assim, pode-se encontrar delegações em cidades como Coimbra, Setúbal, Faro, Porto, Lisboa e na Ilha da Madeira.
Este facto responde a uma das minhas interrogações iniciais, se este tipo de iniciativas se encontra espalhado pelo país inteiro ou se se restringe às principais metrópoles. Também fiquei a saber que o tipo de voluntariado (directo ou indirecto) que se pode prestar a este tipo de associações é muito variado e que qualquer tipo de apoio é sempre valorizado e benéfico.
É neste sentido que me indago se não existe uma forma mais directa e envolvedora de auxiliar as pessoas carenciadas, isto é, pergunto-me se seria exequível mobilizar voluntários, voluntários estes que similarmente usufruem destas iniciativas, para fazer chegar os bens a pessoas em situação de exclusão social de forma a dinamizar este ciclo de (re)distribuição de bens, alimentares e outros. Penso que deste modo não se iria disponibilizar apenas apoio material, mas também apoio psicossocial, na medida em que se ocuparia estes voluntários de forma saudável e activa, dando-lhes oportunidade de contribuir para o bem-estar de outro cidadão, podendo-lhe conferir maior autoestima e sentimento de realização.
Para o próximo post espero poder avançar algumas iniciativas que existem a nível mais global e adiantar um primeiro esboço do projecto final.
Nota: A maior parte da informação foi retirada dos respectivos sites das associações.
Seraphina Cichowsky
A criação deste blog faz parte do método de avaliação da cadeira Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos que se integra no plano curricular do mestrado em Sociologia (ramo de especialização - violência) do ISTE-IUL. Foi então proposto aos alunos a elaboração de um projecto de intervenção (de carácter hipotético) que se debruçasse sobre temas tratados na Unidade curricular em questão ou sobre outros temas que tenham directa ou indirectamente que ver com o tema da Justiça Social e dos Direitos Humanos, não discriminando, mas até valorizando o carácter global que os mesmos possam ter. Neste sentido, aos alunos foi dada a hipótese de pedirem auxílio para o desenvolvimento de tais projectos juntamente a duas associações distintas. Uma destas associações, a Fábrica do Braço de Prata, ocupa-se maioritariamente com projectos de âmbito cultural e de animação, tal como concertos, exposições a afins. Por outro lado, a associação CAIS preocupa-se sobretudo em “contribuir para o melhoramento global das condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis” (retirado da página de internet da CAIS).
Após algum brainstorming da minha parte, tendo em conta os factores acima mencionados, recordei-me de uma iniciativa da qual tomei conhecimento durante o decorrer da Licenciatura, cujo objectivo seria a redistribuição (através de voluntários aliados a IPSS) de alimentos que sobrassem de restaurantes, cantinas, etc., para a população economicamente mais vulnerável, como os sem-abrigos ou mesmo famílias e indivíduos que vivam no limiar da pobreza. Não me recordo como tomei conhecimento desta iniciativa, mas sei que já na altura me presenteou curiosidade e vontade de saber mais. E, pelos vistos, agora terei uma adequada oportunidade para tal.
Neste sentido, tentarei perceber se esta iniciativa da qual me recordo foi posta em prática ou se se tratava apenas de uma projecto a desenvolver. É importante referir que frequentei a Licenciatura no Algarve, o que me leva a querer que se tratava de um projecto a desenvolver localmente, isto é, pretendo descobrir se este tipo de actividades está difundido pelo país ou se é algo circunscrito aos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto, onde a realidade dos sem abrigos é algo mais visível e onde provavelmente é um fenómeno mais presente do que propriamente em Faro ou em Portimão.
Em suma, o primeiro passo a dar será o de investigar este tipo de projectos, a sua origem, a sua difusão, o que existe e o que está para existir. Posteriormente procurarei visitar a associação CAIS para perceber se subsiste alguma preocupação neste sentido. Tentarei também perceber se a nível global se pode encontrar associações e projectos parecidos, de modo a poder captar as diferenças e as semelhanças entre o nível nacional e o nível global.
Publicarei neste blog os resultados das minhas pesquisas e adiantarei a estrutura do projecto de intervenção inicialmente referido assim que puder.
Seraphina Cichowsky
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